segunda-feira, julho 03, 2006

"A Wikipédia não é anarquia", diz Wales

Entrevista

"A Wikipédia não é anarquia", diz Wales

CULTURA Pai da enciclopédia, que participou de evento no Rio, fala sobre como funciona o projeto colaborativo on-line

SÉRGIO VINÍCIUS
ENVIADO AO RIO DE JANEIRO

Em maio deste ano, Jimmy Wales foi considerado pela revista "Time" uma das cem personalidades mais influentes do mundo, sendo um dos primeiros na lista de pessoas ligadas à ciência e à pesquisa. Essa fama é devida à sua criação mais popular, o portal Wikipédia (www.wikipedia.org), uma enciclopédia on-line livre e colaborativa, criada em janeiro de 2001. Todo o conteúdo da enciclopédia está licenciado sob Creative Commons, patente que permite aos usuários editar e alterar os verbetes. Ela tem mais de 3,5 milhões de artigos em 205 idiomas e dialetos. "O conteúdo pode ser editado e incluído por qualquer pessoa", diz Wales. "Mas há uma série de colaboradores que filtram cuidadosamente o que entra na página. Esse é nosso modo de tentar minimizar as falhas." Na semana passada, Wales veio pela segunda vez ao Brasil, para participar do iSummit, no Rio de Janeiro. Na ocasião, ele falou à Folha. Veja os principais trechos da entrevista.

FUTURO - "De forma geral, é impossível fazer uma previsão específica sobre a Wikipédia. Entretanto, acredito que os próximos passos dirão respeito a um aumento considerável de conteúdo em línguas que são minoria hoje, como o chinês."

O FIM - "Não acredito que um dia a Wikipédia estará completa. Ela não terá fim do ponto de vista de conteúdo, já que o conhecimento humano nunca terá fim. Assim, tanto o conhecimento quanto a Wikipédia estarão sempre crescendo."

MERITOCRACIA - "As pessoas pensam que a Wikipédia é uma anarquia, mas a base dela é a meritocracia, na qual o conteúdo e as ações dos colaboradores mais confiáveis e ativos têm mais destaque que a de outros. Esse tipo de método é baseado em mérito. Trata-se de um sistema muito bom, e é, sim, hierarquizado. Esse é o modelo que a Wikipédia vai continuar trilhando, de acordo com as mudanças que estamos tendo de implantar aos poucos, para dar mais confiabilidade à enciclopédia."

CONHECIMENTO - "Um dos maiores méritos da Wikipédia é ser feita por pessoas ao redor do mundo, com conhecimentos e vivências diferentes. Isso transforma um conhecimento específico em algo partilhado entre todos."

NUPEDIA - "A principal diferença entre a Nupedia (projeto de enciclopédia de Wales, antecessor da Wikipédia) e a Wikipédia é a diversão. A Nupedia era um projeto sisudo, em que os artigos eram cuidadosamente revisados antes de ir ao ar. Já na Wikipédia há uma maior abertura para quem contribui com conteúdo. Todo o processo de contribuição com a Wikipédia é divertido,o que não ocorria com a Nupedia."


Fonte:

VINICIUS, Sérgio. “A Wikipédia não é anarquia”, diz Wales. Folha de São Paulo, São Paulo, 03 de julho de 2006. Disponível em Acesso em 03 de julho de 2006.


sábado, julho 01, 2006

Laptop popular no Brasil

30/06/2006 - 17h32
Técnico do MIT defende produção de laptop popular no Brasil
JULIANA CARPANEZ
da Folha Online

O Brasil é um forte candidato a fabricar computadores portáteis utilizados no projeto de inclusão digital OLPC (sigla em inglês para Um Laptop por Criança), desenvolvido por especialistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Segundo David Cavallo, pesquisador do Laboratório de Mídia do MIT que defende esta alternativa, o principal motivo para o favoritismo é a capacidade de inovação observada no país, aliada à grande quantidade de mão-de-obra qualificada disponível na região.

Brasil já tem 15 laptops populares para teste"O Brasil é único em diversos aspectos, principalmente quando falamos da inovação, flexibilidade e iniciativas educacionais", disse Cavallo, citando o educador Paulo Freire. "Precisamos de pessoas que possam agregar valor ao projeto e saibam trabalhar em grupo. Nosso foco não está voltado simplesmente à produção de computadores baratos, mas sim a iniciativas educacionais", afirmou o pesquisador em entrevista à Folha Online durante o evento e-Learning Brasil.Caso esta hipótese se concretize, a produção local só deve ser iniciada depois do lançamento oficial do projeto --em um primeiro momento, as máquinas serão produzidas somente pela companhia taiwanesa Quanta Computer, que já fabrica computadores portáteis para a Dell, HP e IBM. Este lançamento está previsto para o primeiro trimestre de 2007 em escolas públicas do Brasil, Índia, China, Nigéria, Tailândia e Egito.Inicialmente, os responsáveis pelo projeto afirmavam que em 2006 os estudantes já teriam acesso a este computador popular --o preço final da máquina deve serUS$ 100, mas atualmente ainda está por volta de US$ 130. Segundo Cavallo, o atraso não tem qualquer relação com as negociações entre MIT e governo: "as mudanças no cronograma estão ligadas ao processo de desenvolvimento da máquina", disse. No Brasil, há 15 protótipos deste computador sendo testados por integrantes do governo ligados a iniciativas de inclusão digital. A máquina tem sistema operacional Linux, processador de 500 MHz, 500 MB de memória Flash, portas USB --que compensam, em parte, a falta de um disco rígido--, tecnologia Wi-Fi para acesso sem fio à internet e um mecanismo alternativo de energia com o qual os usuários utilizam uma manivela para carregar a máquina.